A energia do lugar

Energia do Lugar

Invisível a objetividade científica dos olhos ocidentais, todo lugar por onde passamos possui uma vibração energética, um chi. Quem tem a clarividência, a sensibilidade e os sentidos desenvolvidos não tem dificuldade em perceber a diferença energética entre uma sala da FEBEM onde pessoas são violentadas e reprimidas e uma sala de meditação, de um ashram indiano onde se dança a kundalini. Salta aos olhos: uma delegacia e uma creche, um presídio e um camping, uma praia deserta e o centro da cidade, um rio limpo no meio de uma floresta e o rio Tietê em São Paulo.

Cada uma das pessoas de um grupo que povoa uma sala, contribui com a energia do lugar. As pessoas estão, a todo o momento, trocando energias. Através da fala, de olhares, toques, pensamentos, emoções, etc. Cada vez que um corpo (com seu campo energético) se encontra com outro, ele causa uma mudança. Quando encontramos pessoas sinceras e amadurecidas (internamente e existencialmente), sentimos uma fragrância de beleza, a pessoa é uma luz para si mesma, ela é naturalmente elegante, então, seria uma lógica simples pensar (e perceber e sentir) que os ambientes que essas pessoas freqüentam serão elegantes e iluminados também. Num lugar assim uma pessoa desequilibrada e mesquinha, um ladrão, seria facilmente notado, sua pulsação é diferente, sua forma de se expressar, de agir, seus valores, sua crença, seu coração, enfim, existe o contraste. Num espaço onde se busca o desenvolvimento, a sinceridade, o contato direto consigo mesmo, ou seja, onde se desenvolve a verdadeira arte marcial, é muito fácil perceber pessoas desta “categoria”.

Em meditações catárticas quando os alunos são estimulados a colocar tudo para fora, gritando, socando, pulando e xingando, o ambiente recebe alta carga de energia. Às vezes, coisas estagnadas há anos no fundo do inconsciente: sentimentos reprimidos desde a mais tenra infância, os piores medos e os traumas mais enraizados, vêm à tona, impregnando o ambiente. Noutras vezes, uma meditação de enraizamento, de fortalecimento, de expansão da consciência através de movimentos ondulatórios leves e fluídos, ao som de música solta e calma, buscando uma conexão com o universo e com o ser mais intimo e profundo de cada um, ou seja, buscando o que há de melhor em cada indivíduo, traz ao ambiente uma energia limpa, universal, cósmica, leva consigo as doenças, o cansaço, equilibra o grupo , desfaz os nós.

Mas o ocidente não está muito longe de aceitar tais fatos. Já foram realizadas experiências com árvores. Um casal de amantes se aproximava de uma árvore e então eram medidas suas vibrações, e imediatamente após o casal ir embora um lenhador, com a real intenção de cortar a árvore se aproximava, e tudo mudava, os gráficos dos aparelhos mudavam e as vibrações eram diferentes. (da medicação para a meditação...) Quanto tempo levará para que os olhos ocidentais enxerguem tal realidade não se sabe.

Estudos recentes da física quântica revelaram que os átomos (as menores partículas que compõem a matéria), não são sólidos, e sim preenchidos por enormes espaços vazios. No nível subatômico não há objetos sólidos. Os átomos são feitos basicamente de espaços vazios. Os fótons, nêutrons e elétrons que giram ao redor do núcleo habitam espaços vazios. Estão em todos os lugares ao mesmo tempo. Um elétron não se move, nem fica parado no mesmo lugar.

Ele se manifesta num padrão de probabilidades, potencialidades. O exemplo com uma laranja facilita o estudo: Para saber quantos átomos ela contém deve-se aumentá-la até ser possível a visualização dos átomos, isso significa aumentarmos a laranja até que adquira o tamanho da terra, assim, seus átomos teriam o tamanho de uma cereja e seu núcleo seria invisível. Para vermos seu núcleo seria necessário que o átomo tivesse o tamanho da ilha do Monte de Saint-Michel na França, daí seu núcleo teria o tamanho de uma pedrinha (bolinha de gude) e seus elétrons seriam como grãos de areia e entre o enorme espaço que os separam: o vazio. Em outras palavras, entre o núcleo e os elétrons não há nada.Ou seja, o átomo é vazio.

Energia do LugarNossos sentimentos, nossas sensações e traumas têm um peso, existem realmente, são reais. São tão concretos quanto o ar, não se pode tocá-los, não se pode vê-los nem pegá-los mas existem. E quando você não expressa um sentimento ou sensação ele fica dentro de você. Aí dentro, neste labirinto, o inexprimível, o inexpressável busca expressão, saída. Muitas vezes se passam anos (há quem diga vidas...) até uma saída ser encontrada. Onde você guarda todos os seus traumas?! Em que lugar dentro de você eles estão?! A energia, a vibração e a tensão que eles carregam se armazena onde?

No treino do Kung fu, através da união entre pensamento, sentimento e ação, este labirinto pode ser desvendado, rompido, transpassado. No tatame muitos alunos contam histórias carregadas de energia negativa, que vivenciaram em seu dia e, como o local de treino é um lugar de despejo, descarrego, descarga de tensões (stress) físicas, mentais e espirituais, é natural que ali todos se sintam convidados a descarregar, “botar pra fora” as piores vivências do dia-a-dia. Aliás, este é um de seus objetivos: possibilitar a circulação fluida da energia (chi) que se encontra represada. Mas então para onde vai a energia que carregamos e expulsamos pelo movimento?! Para o ambiente, que fica então carregado com ela. Por isso temos que ter cuidado (por isso temos um dragão nas costas).

A energia do lugar freqüentado por pessoas que buscam na arte marcial o seu equilíbrio é muito forte, carregada. No imaginário de seus inconscientes a luta, a guerra, o choque físico assume um sentido central, primitivo, primordial. Conectar-se com ele, transmutá-lo e transcendê-lo é tarefa do artista marcial hábil. Talvez seu carma, sua missão nesta vida aí se encontre.

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