Benefícios
Alimentação

Você é aquilo que você come”
A alimentação aqui mencionada refere-se a uma prática que envolve conhecimento profundo acerca das teorias do carma, da reencarnação e da iluminação, assim como de uma grande gama de fenômenos e conhecimentos da filosofia e visão de mundo oriental. Cabe salientar ainda que, independente do ponto de vista e do referencial filosófico e religioso oriental (budista, confucionista e taoísta), as implicações do que consiste em uma alimentação saudável tem amplo estudo científico e pode ser “provado” destituído da crença oriental. Além de envolver questões não só de saúde humana, mas da saúde do planeta como um todo.
Segundo as crenças mencionadas acima, os alimentos que ingerimos se tornam partes de nós, e cada alimento engloba e envolve uma vibração, um tipo de chi característico. Ingerir um alimento é ingerir o seu chi também. Assim, se comemos um animal que é morto com medo, assustado e apavorado (como 90% dos bovinos), se comemos um animal que teve uma vida inteira preso em um cubículo, que é mutilado, que vive em meio da doença, que fede carne podre de seus companheiros, estamos nos intoxicando com sua energia de medo, pavor e angústia. Fisiologicamente falando, estamos ingerindo todas as impurezas e substâncias que inundam seu corpo (sangue e tecido muscular) na hora da morte. Espiritualmente estamos contribuindo para o aumento de nosso carma, pois este qi carregado de negatividade faz agora parte de nós.
Ainda, cientificamente falando, na natureza, todos os animais que usam as mesmas substâncias na digestão que nós humanos são herbívoros; todos os animais que suam pela pele como nós são herbívoros; todos os animais que tem a disposição dos dentes como a nossa são herbívoros; todos os animais que tem o estomago do tamanho do nosso são herbívoros; e todos os animais diferentes de nós nesses quesitos: tigre, leão, gato, cachorro, etc são carnívoros. Nestes últimos, a carne não apodrece no estômago antes de ser digerida e eles também não morrem com aproximadamente um kilo e meio de carne não digerida no estomago.
Como já vimos anteriormente, é uma crença muito difundida no oriente que nascemos e morremos infinitas vezes, em diversas formas e vibrações, até atingirmos um estado evolutivo que nos possibilite uma fusão com o cosmos e interrompa o “samsara”, “Somos soprados para o lugar de nosso próximo nascimento pelos ventos do carma.” (Manual de meditação, p.51) E podemos ter adquirido diversas formas, aparências e vibrações. “Devemos pensar que, em vidas anteriores, àquele que hoje é um amigo foi inúmeras vezes um inimigo, ao passo que nosso atual inimigo repetidamente foi nosso melhor amigo”. (72) Assim, nossa existência não se limita somente a figura humana, podemos, no nascimento futuro regredir ao estado animal.
Quem busca uma vida em harmonia com a existência, com a vida que nos cerca, e com a imensa energia que toda essa gama de fenômenos envolve; quem entende racional, sentimental e existencialmente o sofrimento dos animais (criados pelo homem para o seu consumo) desde a hora de seu nascimento até a hora de sua morte; quem olha no olho de uma vaca, de uma galinha, de um porco ou de um peixe e, e entrando em contato direto com este ser, o reconhece como um irmão, que sente, que sofre, que tem prazer, que gosta, que brinca; quem se sente como parte deste imenso cosmos, como uma gota em seu oceano; quem percebe tudo isto (sei por experiência) que é incapaz de se alimentar de bovinos, aves ou qualquer outro animal com coração, olhos e sentimentos como ele.
Segundo a crença dos monges budistas do Kadampa “esmagar um pernilongo com raiva é suficiente para criarmos causa de nascimento no inferno.” (51) Saber funcionar no mundo de forma equilibrada e saudável, vivendo de acordo com preceitos de ordem política, social e espiritual exige consciência e bom senso; é sinal de saúde e de que estamos vivos e conectados com a existência. Não quero entrar aqui em muitos detalhes políticos que envolvem a questão da alimentação humana, isso deixo aos vegetarianos, aos vegans, ao Peta, mas digo que enquanto consumidores de animais estamos cometendo assassinatos todos os dias, destruindo o planeta e vidas de famílias inteiras, a cada refeição.
No livro “A Insustentável Leveza do Ser” Milan Kundera escreveu: “No começo da Gênese está escrito que Deus criou o homem para reinar sobre os pássaros, os peixes e os animais. É claro, o Gênese foi escrito por um homem e não por um cavalo. Nada nos garante que Deus desejasse realmente que o homem reinasse sobre as outras criaturas. É mais provável que o homem tenha inventado deus para santificar o poder que usurpou da vaca e do cavalo. O direito de matar um veado ou uma vaca é a única coisa sobre a qual a humanidade inteira manifesta acordo unânime, mesmo durante as guerras mais sangrentas. Esse direito nos parece natural porque somos nós que estamos no alto da hierarquia. Mas bastaria que um terceiro entrasse no jogo, por exemplo, um visitante de outro planeta a quem deus tivesse dito:” Tu reinarás sobre as criaturas de todas as outras estrelas”, para que toda a evidência do Gênese fosse posta em duvida. O homem atrelado à carroça de um marciano - eventualmente grelhado no espeto por um habitante da Via-Láctea - talvez se lembrasse da costeleta de vitela que tinha o hábito de cortar em seu prato. Pediria então (tarde demais) desculpas à vaca." pagina é 287, editora Nova fronteira, 55 edição.