O desenvolvimento da arte marcial na China

Arte Marcial

A palavra “arte marcial” é usada por nós, ocidentais, para designar toda espécie de luta e sistema de ataque e defesa desenvolvidos no oriente. Na China se usa o termo Wushu. A palavra marcial deriva de Marte e simboliza a guerra que temos que travar para nos encontrar em nós mesmos: “No panteão romano, o Deus Marte ocupava uma posição mais elevada que Júpiter (Zeus). Os romanos achavam que havia algo mais positivo em Marte do que apenas o ódio cego, explosivo e indiscriminado... Além de ser o Deus da guerra, ele também era cultuado como o deus da agricultura, da primavera e da vegetação. Marte estava associado à fertilidade, ao crescimento e ao vir-a-ser.

Seus escudeiros eram Honor (honra) e Virtus (virtude). Para os romanos, o princípio marciano significava defender quem você é, e ter a coragem de desenvolver e honrar a sua verdadeira natureza... Marte é a expressão da energia e da graça instintiva." (Astrologia, p.23) .

Como eu já disse, o Kung Fu foi desenvolvido na China, um país marcado por muitas guerras. Externamente Japão e Mongólia eram inimigos perigosos e, internamente, durante o período feudal antes da unificação, as guerras pela disputa do território entre os próprios chineses eram constantes. Face a estas características os chineses se obrigaram a desenvolver eficientes formas de defesa.

Vivendo no campo, em lavouras e pastagens, longe de grandes centros numa época em que o imperador não detinha controle de todo o território, não podendo assim oferecer segurança, muitos chineses eram presas fáceis aos mercenários e bandidos que viviam de roubar. Da necessidade de auto defesa surgem às práticas de formas organizadas de luta, e as armas da luta acabam sendo as ferramentas de trabalho e objetos de uso pessoal quotidiano (um bom exemplo, disponível em vídeo, é o clássico de Akira Kurosua “Os sete samurais” pois a realidade japonesa não era muito diferente). Aí surgem o nuntchako (originalmente usado para amassar as ervas e sementes), o bastão (usado pelos barqueiros para manobrar os barcos), o facão usado para cortar o capim, o machado, a bengala, o leque, etc.

A diversidade de estilos e formas explica-se pela organização geográfica, política e social do povo chinês. A China era dividida em províncias, cada uma com características próprias geográficas (desertos, praias, florestas tropicais, montanhas, frio, calor), políticas e sociais (etnia, hábitos, costumes e religião).

Acho interessante citar aqui que: “Treinar kung Fu nos dias de hoje é relativamente simples, se nos remetermos aos primórdios da arte, quando se privilegiavam poucos escolhidos, seja por pertencerem a clãs de criadores de determinado estilo, seja por se tornarem monges internos dos rigorosos templos budistas”. (Kung Fu Shaolin do Norte p.15)

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