Filosofia e Religião
Carma

“Os únicos demônios do mundo são aqueles que habitam nosso coração, e é nele que as batalhas devem ser travadas.”
Gandhi
Pode-se afirmar que o carma é intrínseco à existência, é a própria natureza da vida onde tudo que você semeia você colhe. É como se a cada momento você estivesse criando a si próprio. É a inevitabilidade de aceitar a responsabilidade pela própria vida.
Segundo o budismo Kadampa: “Todas as ações que executamos deixam marcas em nossa mente muito sutil e cada marca dá origem a seu próprio efeito. Nossa mente é como um campo e executar ações é como semeá-lo. Ações virtuosas plantam sementes de felicidade futura, ao passo que ações não-virtuosas semeiam sofrimento futuro. As sementes que plantamos no passado permanecem adormecidas até que as condições necessárias à sua germinação venham a se reunir. Em alguns casos, isso pode ocorrer muitas vidas depois de a ação original ter sido executada.”(manual de meditação budista, pág. 51)
Mas não é necessário falar em muitas vidas para entendê-lo. Sim, o carma é carregado por toda nossa existência – que transcende uma vida segundo o pensamento oriental - mas em uma única vida podemos ver como é o seu funcionamento. Uma frase que resume a essência deste ensinamento: “Um homem violento morrerá de morte violenta”.
Um exemplo: “Se você mente uma vez, você precisa proteger esta mentira. E para proteger uma mentira você precisará contar outras, e novamente, para proteger estas, você precisará continuar indefinidamente. Aos poucos, você se torna um mentiroso crônico, a verdade fica cada vez mais distante e difícil para você, pois agora será perigoso dizer uma verdade.
Uma coisa puxa a outra, essa é a lógica do carma: se você conta uma mentira, então muitas outras serão convidadas – igual atrai igual – e agora a verdade não é bem vinda porque a escuridão da mentira não gostará da luz da verdade. Deste modo, mesmo quando suas mentiras não estão ameaçadas, será difícil falar a verdade. Se você começar a falar a verdade, muitas outras verdades serão convidadas – semelhante atrai semelhante. Se você for naturalmente verdadeiro é muito difícil mentir, mesmo uma vez, porque toda essa verdade te protege, te chama.”(osho pág ...)E imagine o tipo de pessoas que estarão ao teu redor: mentirosas, mesquinhas, feias e mascaradas. Óbvio que isto interfere na tua vida, e este é um fenômeno natural. “A lei do carma não é uma teoria ou abstração, ela é uma filosofia que explica algo verdadeiro dentro do nosso ser: a cada momento estamos criando a nós mesmos, ou uma graça surgirá em nosso ser ou uma desgraça, essa é a lei do carma, esse é o significado da palavra carma”.(citar fonte)
Acho ainda mais fácil entendê-lo na prática do Kung Fu. Se busco um ambiente carregado de pessoas egoístas, avarentas, competidoras e mentirosas, meu Kung Fu reflete estas atitudes e, com facilidade, entro em conflitos e encrencas na minha vida. Mas se pelo contrário, uso todo o conhecimento milenar desta arte para aperfeiçoar meu ser, praticar minha sinceridade e buscar uma vida mais elevada, com certeza haverá crescimento e com certeza encontrarei e ajudarei a criar um clima favorável para que flores deste tipo possam florescer junto a mim. É como Jesus – que para os chineses é mais um iluminado que viveu na Terra - falava: “Me diga com quem andas que te direi quem és“.
Entendido isto, imaginem que cada vida pode ser como um degrau rumo ao crescimento, à iluminação, ao nirvana; ou rumo a inconsciência, a degradação, ao “inferno”, tudo depende de nós mesmos.
Para clarear o conceito de iluminação pegarei o exemplo de Sidarta Gautama - o Buda - e seu processo através da vipassana.