Treino
O incenso

Muitas são as formas de manifestar nosso respeito ao que temos como sagrado, o incenso é uma delas. Da mesma forma que no Brasil se acendem velas aos santos, no Oriente acende-se o incenso aos mestres em gratidão e respeito, pois somente devido à dedicação deles que podemos ter contato com a essência da arte.
No ambiente de treino encontramos ainda outras razões. Ao se acender o incenso o ar se torna mais limpo e adquire uma fragrância agradável.
Cada erva, vegetal e resina empregada na sua fabricação tem uma função, estimulando ou inibindo humores, emoções, órgãos, etc. Muitas destas ervas são acumuladores energéticos da energia cósmica chi em sua forma mais pura e saudável para o homem. Assim, no processo de queima do incenso, ocorre a liberação de todo o potencial energético das ervas e substâncias que o compõem.
Além de purificar as possíveis impregnações existentes no ambiente – os “espíritos maus”, provenientes de nosso carma (que podem nos estar acompanhando) – ao reverenciar os mestres com determinado incenso, estamos evocando seus espíritos e com eles “boas vibrações”, tornando o treino um espaço sagrado agindo, sensibilizando e elevando as vibrações dos planos físico, psíquico e espiritual.
A constante queima de determinado incenso, em determinados dias da semana e em determinado horário da aula, obedecendo à determinada disciplina mental ou concentração ritualística tem um potencial meditativo. Pois o corpo, através dos órgãos dos sentidos, é capaz de associar a descarga de energia que advém do treino (ou o contato com a própria essência) com o incenso. Quero dizer que ao sentir o cheiro no ar o corpo já se predispõe ao treino, pois como já falei, a arte marcial Kung Fu tem um efeito terapêutico.