Investimento

Investimento

Atualmente para praticar qualquer arte marcial é necessário realizar uma inscrição e pagar uma mensalidade. Hoje, muitos praticantes treinam motivados pela TV (viram algum filme), por medo de apanhar (sentimento de inferioridade), pela emoção prazerosa da situação de luta (excitação parassimpática), pela busca de um corpo bonito (estética), por indicação médica (saúde), para o alívio de tensões (descarrego de stress) ou por outras inúmeras razões que (assim isoladas) somente chegam perto do objetivo primordial de toda arte marcial.

Antigamente, nos primórdios da arte marcial, ela era de vital importância para a sobrevivência de qualquer indivíduo. Numa escala de zero a dez se encontraria bem acima, talvez como uma das primeiras necessidades. Assim, seu espectro englobava tudo que foi dito acima juntamente com um trabalho psicológico, intelectual, existencial, físico, social, medicinal, energético, enfim, uma gama de fenômenos muito vasta que envolvia todas as dimensões da vida de seus praticantes.

Hoje, os tempos são outros, o homem é outro, por isso a arte marcial é outra. Ninguém mais procura uma arte marcial para auto-defesa, hoje em dia as pessoas compram armas, chamam a polícia. Assim, o que fica da arte marcial é seu espírito, sua essência: unificar o indivíduo, ajudá-lo a transcender, lhe dar saúde e olhos que vejam. Nesta perspectiva seu valor é imenso. Assim, se você utiliza a arte marcial Kung Fu para se conhecer, para crescer, para ter saúde (ver definição de saúde), lhe digo que ele é muito valioso. Pois são mais de cinco mil anos condensados em técnicas passadas de geração para geração que carregam a essência das filosofias budista, confucionista e taoísta, e tudo isto exige disciplina o que definitivamente não é para qualquer um.

Com base nestes argumentos acho interessante se fazer às perguntas: que valor você dá para a prática do seu kung Fu? Quanto ele vale pra você? Numa escala de valores, de zero a dez, em que lugar entra o seu kung Fu? Por que você pratica Kung Fu?

Sigmund Freud – fundador da Psicanálise - falando sobre a questão do pagamento uma vez explanou: “... Quando adicionamos os custos incessantes das casas de saúde e do tratamento médico e contrastamo-los com o aumento de eficiência e de capacidade de ganhar a vida que resulta de uma análise inteiramente bem sucedida, temos o direito de dizer que os pacientes fizeram um bom negócio. Nada na vida é tão caro quanto a doença e a estupidez”. (Sobre o início do tratamento - Novas recomendações sobre a técnica da psicanálise I - Volume XII – Edição Eletrônica Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud – ed. Imago)

“Nada na vida é tão caro quanto a doença e a estupidez...”, nesta perspectiva fazer kung Fu é prevenir doenças, é trabalhar a profilaxia, é cuidar de si mesmo a ponto de evitar doenças, é ter uma mente ecológica, auto-sustentável, é aprender a andar com as próprias pernas e, por isso, vale muito. Pois evita gastos com médicos e hospitais, com psicólogos e fisioterapeutas. Evita problemas cardíacos e acidentes vasculares cerebrais (AVC) na velhice, dá longevidade e saúde no sentido holístico do termo. Evita traumas emocionais frutos de desavenças, evita brigas desnecessárias fruto da baixa auto-estima e de complexos de inferioridade, ajuda na hora das tomadas de decisões, ajuda no trabalho, desenvolve o contato sincero consigo mesmo, resumindo, fazer Kung Fu é prevenir desequilíbrios, doenças, é investir na profilaxia.

Então, “nesta perspectiva”, o dinheiro que se gasta, que se investe, reflete a consciência e o valor que se dá a si mesmo e a própria prática. A troca energética que existe entre o dinheiro que se investe e a qualidade da prática é equilibrada. Quem está disposto a pagar uma quantia significativa pela sua prática dá o valor que ela merece e se dá valor, e, por isso, tem mais chances de se encontrar neste caminho. Ninguém gasta dinheiro a toa. Ele é essencial para a vida, e deve ser gasto em coisas essenciais para a vida. Se a arte marcial não for, ela não está cumprindo seu papel e o indivíduo deve procurar outra arte, outra ocupação.

Assim, a quantidade de dinheiro que o praticante investe na sua prática reflete a quantidade de energia, vigor e entusiasmo que ele investe em si mesmo e na sua relação com sua arte: o quanto envolvido ele está. Óbvio que existem exceções. Pessoas muito pobres não podem pagar uma quantia muito alta; pessoas muito ricas acham ínfimos os valores das mensalidades mais altas e geralmente tentam “pagar” por qualidade de vida e saúde. Mas isto é um fato previsível e fácil de ser contornado.

Sintetizando, o pagamento reflete, de forma nua e crua, o valor que o indivíduo dá a sua prática, o envolvimento que tem. Pagar a mensalidade em dia é uma disciplina que espelha o caráter e o compromisso com a arte e consigo mesmo. Os alunos que sempre pagam em dia são os mais compromissados, os que mais dão valor, os que mais estão integrados com seu propósito, e, por isso, os que mais se beneficiam com a prática.

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