Benefícios
Da arte oriental a ciência ocidental

... todas as teorias científicas são aproximações da verdadeira natureza da realidade;
e ... cada teoria é válida em relação a uma certa gama de fenômenos...”
(95 Fritjof Capra)
Chineses, árabes, americanos; índios, persas, polacos; judeus, budistas, xintoístas; homens, mulheres, crianças; animais, plantas, minerais; sólidos, líquidos, gasosos; ar, metal, água, terra, fogo; hemisfério, planeta, galáxia, cosmos. Vivemos todos no mesmo mundo, e cada um o percebe a sua maneira. Sofremos todos as mesmas leis cósmicas universais, e cada um se relaciona com elas a seu modo. Somos todos expressões da mesma energia, em formas, vibrações e medidas diferentes. Assim como todas as artes marciais são diferentes aplicações de idênticos princípios.
Cada povo tem sua língua, seus costumes, crenças, hábitos e valores. Todos diferentes uns dos outros. Diferentes formas de se dizer as mesmas coisas. Lhes pergunto: O que entendemos pelo símbolo taoísta “ying yang” não é a mesma coisa que Freud entende por “pulsão de vida” e ”pulsão de morte”? Não é a mesma coisa que Reich chama de “auto-regulação” e “hetero-regulação”? Que os neo-marxistas chamam de “dialética”?
E o “carma”, não é a mesma coisa que a teoria positivista chama de ”lei de causa e efeito” e que Freud chama de “determinismo psíquico”?
O “tao”, a “iluminação”, a “homeostasia”, o “samadhi”, o “nirvana”, a “saúde”, o “equilíbrio”, o ‘insight“, o “humano genérico” não são todos traduções do mesmo estado de espírito?
“Chacras” (palavra sânscrita que significa centro de energia), “anéis das couraças”, “meridianos”, ?!
“Chi”, “libido”, “orgone”, “ki”, “prana”?!
Há cincuenta anos atrás um discípulo de Sigmund Freud chamado Wilhelm Reich descobriu uma energia que os chineses já conheciam há mais de cinco mil anos. O ocidental austríaco deu-lhe o nome de “orgone”. Os orientais asiáticos de “chi”. A semelhança é tal que se colocarmos uma foto kirilian – um dos métodos utilizados para captar a concentração do “orgone’ – ao lado de um mapa feito por um acupunturista – que através da sensibilidade de seu toque na pele faz seu diagnóstico energético do “chi” - ele será idêntico.(Soma, A alma é o corpo, p.32)
Meu professor de psicanálise sempre falava: “A psicanálise não introduz um outro saber, o sujeito ”descobre” o que já sabia sem saber que sabia. Não é algo que nos é desconhecido, é algo que a consciência não sabe.”
E o mesmo acontece no Kung Fu: ele não ensina nada que já não saibamos, apenas desperta nossa visão interior para que ela faça por si mesma.
Não é à toa que a física moderna esteja descobrindo hoje o que os chineses já conheciam há cinco mil anos. É interessante meditar sobre como tudo se encaixa - cada vez mais estudos científicos comprovam os benefícios da meditação. (citar fonte texto Sandra). Cada vez mais médicos recomendam a prática de artes marciais e exercícios para seus pacientes, parece-me uma globalização não só da economia, mas também do conhecimento e da cultura milenar oriental.
A psicologia ocidental e a filosofia oriental, por exemplo, falam a mesma coisa em línguas não muito diferentes. “As tradições místicas orientais, entretanto, não estão primordialmente interessadas na formulação de conceitos teóricos... Essas tradições fundamentam-se em experiências místicas que levaram à criação de elaborados e extremamente refinados modelos de consciência que não podem ser entendidos dentro da estrutura cartesiana, mas que estão em surpreendente concordância com recentes conquistas científicas... Elas são, sobretudo, caminhos de libertação, buscam a transformação da consciência. Durante sua longa história elas desenvolveram técnicas sutis para mudar, em seus adeptos, a percepção consciente de sua própria existência e de sua relação com a sociedade humana e o mundo natural. Assim, tradições como o Vedanta, a Yoga, o Budismo e o Taoísmo assemelham-se muito mais a psicoterapias do que a filosofias ou religiões; portanto, não surpreende que alguns psicoterapeutas ocidentais tenham manifestado recentemente um profundo interesse pelo misticismo oriental”.(Capra pág: 157)