A Origem

Origem

Sempre houve uma grande discussão sobre a origem das artes marciais chinesas sem que houvesse algum tipo de esclarecimento real, oficial. Isto se dá devido ao fato de o universo das artes marciais (e da cultura) chinesas estar cercado de lendas, mitos, sociedades secretas, dados incompletos, imperadores que dizimavam as culturas derrotadas para começar a partir de si uma “nova história” da China e da diversidade de interpretações que se podem dar aos ideogramas chineses.

O Kung Fu esteve presente desde os primórdios da civilização chinesa, não tem data específica, ele sempre existiu desde que o homem se desenvolveu como um “ser hábil”, como um “mestre” em algo. A expressão Kung Fu pode ser descrita como o termo mais conhecido para designar todas as formas e estilos de artes marciais desenvolvidas e praticadas na China.

Sempre que o homem tem competência, prazer e equilíbrio para realizar algo; sempre que ele coloca-se inteiro na sua obra o Kung Fu está presente.

Assim, um estudante que resolve um problema difícil, superando-se, atinge Kung Fu; um cozinheiro que faz o melhor prato que sua capacidade permite, tem Kung Fu; um atleta que supera seus limites e vence a competição que é nossa vida “é” kung Fu.

Com um território aproximadamente do tamanho do Brasil e com sete vezes mais habitantes a China é hoje a maior e uma das mais antigas civilizações do mundo. Cinco mil anos é a idade da sua cultura. Pesquisas mais recentes encontraram artefatos – uma flauta feita de osso - com nove mil anos.

Como arte tradicional, o Kung Fu faz parte da grande herança cultural do povo chinês. Sua origem pode ser encontrada na pré-história, quando nossos ancestrais eram obrigados a lutar contra animais selvagens e outros homens a fim de garantir sua sobrevivência. “Em decorrência do grande número de invasões estrangeiras ao longo de sua história, o povo chinês desenvolveu sua arte marcial a níveis incalculáveis” (fonte ?). No curso das lutas entre tribos eles vieram a compreender que, para derrotar um inimigo, deveriam não apenas ter boas armas, mas também melhorar sua capacidade física e habilidade através de métodos de combate em intensivo treinamento nos tempos de paz. Isto levou ao desenvolvimento de várias artes marciais ao longo dos séculos e surgiram numerosas estratégias que enfatizavam a importância de um “trabalho com maestria”, ou seja, do Kung Fu para a formação de um exército verdadeiramente forte.

Na dinastia Han, o famoso médico Hua-Tuo (falecido em 208 D.C.), grande especialista em cirurgias e acupuntura, acreditava que os homens deveriam se exercitar com freqüência para conseguir uma circulação normal e assim evitar enfermidades. Isso o levou a criar e projetar o "Jogo dos Cinco Animais", que foram os primeiros exercícios medicinais da China. Eram seqüências de movimentos que imitavam o tigre, o cervo, o urso, o macaco e pássaros. Essas séries auxiliavam a tornar o corpo mais flexível e aumentar o apetite. Um pouco mais tarde, já no interior do templo Shaolin, baseados nos exercícios deste médico, os monges criaram movimentos baseados no dragão, no tigre, no leopardo, na garça e na serpente, incorporando-os ao Kung Fu.

Na dinastia Jin (período?) o Kung Fu recebeu a influência do Budismo e do Taoísmo – até então toda China vivia sob a influência de Confúcio - e Ge Hong, famoso médico e filósofo taoísta, integrou ao kung Fu o chi Kun (QiGong), importante ramificação da medicina oriental. Daí para frente chega Bodhidarma, e sobre o desenrolar da sua história você lerá mais adiante.

Cabe aqui ressaltar que estamos falando de um continente distante, tanto em quilômetros quanto em cultura:

“A maior parte das pessoas, na América e na Europa, faz uma idéia da Ásia como sendo um continente de tamanho indeterminado, nos confins da Europa, habitado por povos que vivem em estado selvagem ou, no melhor dos casos, semi-selvagem, que foram ali parar por acaso.

A idéia que têm de sua extensão é das mais vagas. Comparam facilmente esses territórios com os países europeus e nem sequer suspeitam que o continente da Ásia é tão vasto que poderia conter várias Europas e que abriga comunidades importantes, das quais não só os europeus, como os próprios asiáticos, nunca ouviram falar.

Além disso, esses “povos selvagens’ já atingiram há muito tempo, em matéria de medicina, de astrologia e de ciências naturais, sem sofisticações nem explicações hipotéticas, um "grau de aperfeiçoamento que a civilização européia só alcançará, talvez, dentro de algumas centenas de anos.” (Gurdjieff - Encontros com homens notáveis pág. 195)

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