Filosofia e Religião
Por que meditar?

A necessidade de meditar vem da incapacidade do homem em viver seu amor. A necessidade de meditar vem da incapacidade do homem de viver sua própria vida. O homem é medíocre, o homem é neurótico, necessita de desenvolvimento e aperfeiçoamento. Como “o lobo da estepe” de Herman Hesse o homem agoniza. Perdido dentro de si mesmo, cego, surdo, mudo e embriagado pelos próprios sentidos, necessita de direção, de um vislumbre que lhe dê sentido à vida. De um insight de algo maior. Incompleto, inconsciente e desconectado do cosmos em que vive, anseia com todo seu ser por luz, equilíbrio, paz.
Dividido, cindido em milhares de “eus”, quando parte dele experimenta prazer, outra parte se culpa e sofre em profunda agonia. Perdido e confuso vive grande parte da sua vida buscando e tentando resolver perguntas sem respostas. Colocando na balança seus dias de êxtase e seus dias de sofrimento, não sabe se o saldo é positivo ou negativo, se o êxtase que experimenta faz valer o sofrimento que acumula. Será que suas curtas e raras horas de ventura compensam sua triste sina?! Será que sua alegria é maior que sua depressão?!
“Se examinarmos nossa vida, provavelmente descobriremos que a maior parte de nosso tempo e energia estão voltados para metas mundanas, tais como obter segurança material e emocional, desfrutar os prazeres sensoriais ou construir uma boa reputação. Embora essas coisas possam nos fazer felizes durante algum tempo, elas não são capazes de nos proporcionar o contentamento profundo e duradouro que almejamos. Cedo ou tarde, nossa felicidade se converte em insatisfação e nos vemos de novo à procura de mais prazeres mundanos. Direta ou indiretamente, os prazeres mundanos nos causam sofrimento físico e mental, pois estimulam apego, inveja e frustração. Além disso, a tentativa de satisfazer nossos próprios desejos, freqüentemente, nos coloca em conflito com os outros.” (Manual de med. pág:15)
O homem precisa meditar porque é um escravo, ele nasceu numa prisão que não consegue sentir ou tocar, a prisão está dentro dele, faz parte dele, ele mesmo a alimenta. Essa prisão se chama mente, essa prisão se chama ego. Essa prisão tem como conteúdo a moral vigente na sociedade em que este homem nasceu, que não reflete seu interior, mas a forma de algumas poucas pessoas pensarem.
Quando o homem toma consciência destes fatos, surge em seu ser a dimensão da meditação. Quando reconhece e sente “... a dúvida e a desesperança da vida humana, com seus momentos de transcendência que vão afundar-se de novo na miséria, a impossibilidade de atingir-se a altura ideal dos sentimentos senão à custa de muitos anos de escravidão à labuta cotidiana; o ardente aspirar pelo reino do espírito em eterna luta mortal com o amor à perdida inocência da natureza, igualmente ardente e sagrado; todo este temeroso oscilar no vazio e na incerteza, empírico e diletante; em suma, toda a falta de escopo a que o ser humano está condenado...” (O lobo da estepe , pág. 87)
Medita aquela pessoa que olha para si mesmo. Medita aquela pessoa que sabe onde o homem pode chegar e onde ele está. Medita aquela pessoa que conhece Buda, Cristo, Lao Tzu e olhando para si mesmo vê o abismo entre estes primeiros e ela. Medita aquela pessoa que entende a loucura que é a vida, medita aquela pessoa que entende que quanto mais alto for seu pico de alegria, mais funda será sua tristeza.