O professor

Professor

“Ao tratares com um homem capaz de compreender teus ensinamentos, se não o instruíres, estarás desperdiçando o homem.

Ao tratares com um homem incapaz de compreender teus ensinamentos, se o instruíres, estarás desperdiçando teu ensino.

Um professor sábio não desperdiça nenhum homem e não desperdiça nenhum ensinamento.”

Confúcio Os Analectos pág: 86

Conhecido como sifu o professor tem importante papel no despertar da arte marcial dentro dos praticantes.

Mas qual a função do professor no Kung Fu? Torna-se professor aquele praticante que dedica sua vida ao kung fu, que usa o Kung Fu como caminho rumo ao auto-desenvolvimento. Só assim ele pode ajudar a outros a despertar e a usufruir dos benefícios desta arte.

Ele é uma espécie de pai espiritual, um Xamã, um mestre. Assim como um verdadeiro aluno é coisa rara, um professor verdadeiro também o é. É quase como um iluminado, deve ser celebrado, apreciado.

O professor é o dharma, o receptáculo do conhecimento milenar da arte que é passado de geração para geração via oral espiritual e existencial. Ele dedica sua vida ao desenvolvimento da arte e é devido a sua dedicação que outros podem aprender com ele.

O aluno primeiro acredita na filosofia e conhecimento de seu professor – como a criança que primeiro copia o pai e somente depois prova os comportamentos mecânicos que executa e, os absorve se verdadeiros e significativos para ela, ou os rejeita se falsos e obsoletos. Assim, vemos 90% dos alunos cumprimentarem ao entrar e sair da sala, usarem o uniforme com o dragão nas costas, respirarem com o chi, meditarem sem compreenderem intelectualmente e existencialmente o que fazem. Eles primeiro acreditam no professor. Sabem, inconscientemente, intuitivamente, que estão no caminho correto, mas engatinhando dependem de um professor, de um mestre para os guiarem até que possam andar com as próprias pernas. Este é o objetivo de toda arte marcial: possibilitar a autonomia, o auto-desenvolvimento, a auto-cura, enfim, a saúde.

É normal que seja assim, pois a maioria busca na arte marcial o trabalho corporal, o plano físico, esquecendo-se do plano espiritual, pois este é mais invisível E ele é tão presente quanto o físico, mas é preciso desenvolver os olhos para vê-lo.

O professor tem o conhecimento necessário para saber se prover de uma técnica tirando proveito dela para melhorar sua vida, e é isto que ele ensina, ele não ensina Kung Fu, ele possibilita que o aluno o possa despertar, ele é o responsável por criar uma terra fértil para crescer e desabrochar a arte. Pois o kung Fu não tem dono, não tem forma.

Kung Fu surge, é despertado por um insight, dura algum tempo e depois vai embora. Se a prática é verdadeira ele reaparece. Nada pode prendê-lo, assim como a sinceridade deve ser desenvolvida sempre e continuamente.

Fazendo uma analogia do professor com o ideal de general para Sun Tzu:

“O comando demonstra os atributos do general quanto à sabedoria, sinceridade, humanidade, coragem e exigência.” (Sun Tzu 25)

Ao que comenta Li Ch’üan: “Estas são as cinco virtudes do general”.(E do professor acrescento eu) É devido a elas que o exército o considera respeitável.”(25)(É devido a elas que os alunos respeitam seu professor).

No comentário de Tu Um, encontramos uma explicação mais detalhada: “Se for sábio, um comandante é capaz de reconhecer quando uma situação muda e, em conseqüência, reagir rapidamente. Se for sincero, seus homens acreditarão em suas recompensas e castigos. Se for humano, amará a humanidade, simpatizará com os outros e saberá apreciar-lhes o engenho e o esforço. Se for corajoso, alcançará a vitória agarrando-se às oportunidades sem hesitação. Se for exigente, suas tropas serão disciplinadas, respeitando-o e temendo-lhe as punições.

Shen Pão-Hsu afirmou: ”Se um general não é corajoso, será incapaz de resolver dúvidas e arquitetar grandes planos”. (25)

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