Benefícios
Saúde

“Persistindo o médico os sintomas devem ser consultados”
Tom Zé
Discorrerei agora sobre o significado da palavra saúde. Como a entendemos? Porque? Desde quando? Sempre foi assim?
"No decorrer de toda a história da ciência ocidental, o desenvolvimento da biologia caminhou de mãos dadas com o da medicina. Por conseguinte, é natural que, uma vez estabelecida firmemente em biologia a concepção mecanicista da vida, ela dominasse também as atitudes dos médicos em relação à saúde e à doença. A influência do paradigma cartesiano sobre o pensamento médico resultou no chamado modelo biomédico, que constitui o alicerce conceitual da moderna medicina científica..." (Capra, Fritjof p. 116)
Em outras palavras, aqui (no ocidente), a ciência e a medicina vêem o homem como uma máquina. É como se a natureza funcionasse como um relógio. Você a desmonta, a reduz a um monte de peças fáceis de entender, analisa-as, e aí passa a entender o todo. O relógio é o modelo do cosmos.
Um bom exemplo (retirado de um diálogo que vi no filme “O ponto de mutação” “Mind Walk”): “uma pessoa vai ao médico com ataque de cálculo na bexiga e o médico extrai as pedras. Milagre! O paciente não sente mais dor, e o relógio anda! As pedras foram extraídas e a dor se foi. Mas e a tensão que causou o problema? E o desequilíbrio que resultou no cálculo? Se eles ainda existirem o homem ficará doente de novo. E é óbvio que eles ainda existem. O cálculo foi só o sintoma de algo maior. Foi só o alarme de que algo está errado.”... “A parte doente é apenas um sintoma de que o organismo total está doente. A parte doente está somente demonstrando isso porque ela é a mais fraca.”(fonte) Ora, muitas doenças se dão devido a certos desequilíbrios psíquicos, não orgânicos, começam do psiquismo e dali rumam para o corpo físico. Se você for tratar as manifestações corporais das doenças mentais, imediatamente elas irão encontrar algum outro meio de manifestação. Porque a somatização é a conseqüência, não a causa. Mas a ciência ocidental não vai às raízes do problema e sim nos galhos.
Saúde no ocidente significa ausência de doença. A medicina busca bloquear os mecanismos da doença, não trabalha na prevenção, só na intervenção. Não trabalha com o paciente, trabalha com a doença. E isso não é curar. É simplesmente mudar os problemas de lugar. Então em um outro lugar a doença aparece. É como se o indicador do nível do óleo do seu carro começa a piscar e você, ao invés de colocar óleo, retira o indicador.
Aqui no ocidente não existe em toda a ciência uma representação para o chi. Assim, se não existe doença, o médico diz que você é saudável. Já no oriente saúde é um estado de espírito, é um chi expandido, é uma energia positiva que envolve o seu ser, é uma união com a natureza, uma sintonia com a existência que irradia uma fragrância própria. Estar próximo de uma pessoa saudável é como uma bênção. Ela irradia saúde (não só física e mental, mas espiritual também), irradia felicidade e todos capazes de sentir o percebem. Estar próximo de uma pessoa doente é nocivo, pois ela irradia uma energia nociva e parasitária.
É pura lógica: pessoas confusas, perdidas, mesquinhas e desequilibradas refletem e influenciam quem está ao seu redor com seu jeito de viver. Isto ocorre porque elas foram condicionadas a vida toda a serem assim, por isso esses sintomas. Eles não vieram do nada, eles foram aprendidos, captados do meio – pais, escolas, sociedade, leis, etc - e agora são refletidos para fora. E o mesmo ocorre com as pessoas ditas saudáveis. Uma vida de constante equilíbrio, consciência, amor e liberdade, constrói um ser com a união destas características e este ser irradia um chi saudável.
Mas a ciência ocidental não percebe e não aceita estes fatos. Os médicos nem conversam com seus clientes e sim dão remédios. “Qual o problema?“ e então o remédio e pronto. Isto ocorre porque a doença é objetiva e a saúde é subjetiva e a medicina ocidental não aceita o subjetivo.
Por exemplo, você tem uma dor de cabeça; eles lhe darão uma aspirina. A aspirina não é a cura, ela simplesmente torna você inconsciente do sintoma. A aspirina não destrói a dor de cabeça. Ela simplesmente não permite que você saiba a respeito dela. Ela o confunde. A dor de cabeça permanece lá, mas você não mais está consciente dela. Ela cria um tipo de esquecimento e uma confusão no seu corpo que agora terá que encontrar outro alarme para lhe mostrar que algo vai mal.
Mas por que, em primeiro lugar, a dor de cabeça estava lá? Comumente a medicina não se preocupa com isso. Se você vai a um médico, ele não irá se preocupar por que em primeiro lugar você está com dor de cabeça. Você tem uma dor de cabeça! O problema é simples para ele: “O sintoma está aí, tome este medicamento – alguma droga, alguma química - e tal sintoma irá desaparecer”. Assim, a dor de cabeça pode desaparecer e você pode ter um distúrbio de estômago no dia seguinte; outro sintoma apareceu.
O homem é um, o homem é uma totalidade – uma unidade orgânica. Se você empurrar o problema de um lado ele se afirmará em outro lado. Pode levar tempo para chegar ao outro lado, para viajar até tal ponto, mas está fadado a acontecer. E então empurrado daquele lado, ele se move para outro lado, e o homem tem muitos lados.“
“O resultado disto é que você se torna mais e mais doente ao invés de saudável. Se a dor de cabeça não é permitida, e a dor de estômago não é permitida, e a dor nas costas não é permitida, e se nenhuma dor é permitida – imediatamente a dor vem e você toma alguma coisa e a elimina – se por anos você continua com esta repressão, então um dia todas estas doenças se juntam, afirmam a si mesmas de um modo mais organizado, com a força triplicada por anos de repressão. Elas podem se tornar um câncer. E para o câncer a medicina não tem remédios.
A ciência da medicina não foi capaz, por enquanto, de atingir qualquer coisa na dimensão do que é a saúde. Todo o seu trabalho tem sido na dimensão do que é a doença. Se você questiona a ciência da medicina sobre as doenças ela tenta dar definições, mas se você pergunta a ela o que é a saúde, então ela tenta lhe enganar. Ela diz que quando não existe doença, então tudo aquilo que permanece é saúde. Isto é enganar, não é uma definição. Como pode você definir saúde em relação à doença? É como definir uma flor em relação aos espinhos; é como definir vida em relação à morte, ou a luz em relação à escuridão. É como definir um homem em relação à mulher, ou vice-versa“.(fonte – da medicação para a meditação p. 7)
É interessante notar também como a cultura ocidental construiu um modo de pensar que sustenta ser o médico o único capaz de curar. O que além de tornar os pacientes dependentes do médico, tolhe a capacidade natural de auto-cura que todos temos. Assim, o médico fica numa posição superior ao paciente. Ele detém todo o conhecimento sobre seu corpo e mente, somente ele sabe o que fazer, ele manda e o paciente obedece. Capra esclarece bem esta questão em seu livro Ponto de Mutação (pág. 150): “De acordo com o modelo biomédico, somente o médico sabe o que é importante para a saúde do indivíduo, e só ele pode fazer qualquer coisa a respeito disso, porque todo o conhecimento acerca da saúde é racional, científico, baseado na observação objetiva de dados clínicos. Assim, os testes de laboratório e a medição de parâmetros físicos na sala de exames são geralmente considerados mais importantes para o diagnóstico do que a avaliação do estado emocional, da história familiar ou da situação social do paciente”. E aí temos todo o desequilíbrio. Pois o modelo biomédico exclui parte do problema. Por exemplo: se o paciente trabalha em péssimas condições, com uma postura errada, se alimentando mal, dormindo mal, etc e busca auxilio médico para curar sua hiper-lordose que não lhe deixa descansar, o médico lhe dá analgésicos e medicamentos para aliviar o seu stress e o encaminha ao fisioterapeuta que, também sem saber a real causa do seu problema irá começar a sua sessão de tortura (ou tratamento) aceita cientificamente. O que importa para eles é a hiper lordose e o que fazer a partir dela. O que importa para eles é descobrir qual o remédio mais apropriado.
No Clássico de Medicina Interna do Imperador Amarelo, o livro mais antigo dedicado a esta “ciência’, encontramos a seguinte citação: ”Receitar remédios a quem já estiver doente é como começar a cavar um poço após estar com sede”. (22) Mas a pergunta que cabe aqui é: a medicina tradicional ocidental é burra?! Por que ela funciona assim?!
Penso que as respostas estão no estilo de vida ocidental, mas acho interessante observar também a relação entre a indústria farmacológica e a medicina, ou seja, a dimensão política: “A indústria farmacêutica condicionou os médicos e pacientes para acreditarem que o corpo humano necessita de constante supervisão médica e de tratamento medicamentoso a fim de permanecer saudável.”(Capra, pág. 245) Como? Simples, através de publicidade. Nos EUA quem financia a maioria das revistas médicas, que visam manter os médicos atualizados com os novos avanços da medicina é a indústria farmacêutica, com suas propagandas de remédios.(Capra 242) “A publicidade farmacêutica é especificamente planejada para induzir os médicos a receitarem cada vez mais.”(243) Assim, qualquer tipo de problema tem um remédio, uma solução dada pela indústria farmacológica, sejam eles problemas de ordem psicológica, social, ambiental, familiar, etc.
Mas e os problemas que a medicina não resolve, o câncer, por exemplo? Com sua abordagem, a medicina não sabe o que fazer frente a esta doença. Embora os estudos relacionando o câncer com estados emocionais e psicológicos serem conhecidos desde o fim do século XIX(Reich, Capra, 134), raríssimos médicos estão a par deles. E o que a medicina faz frente ao câncer? Ela retira o câncer, ela simplesmente retira o tumor. Óbvio que reaparecerá outro mais cedo ou mais tarde. Se a árvore está crescendo e você corta seus galhos e não a raiz, óbvio que os galhos continuarão crescendo. Pois o tumor é o sintoma, não a causa. Mas parece que a real preocupação com a saúde ficou de lado. O que interessa é a “cura” imediata, o alívio da dor. O que fica claro também é a falência do modelo cartesiano e biomédico. “De um ponto de vista mais amplo, nem tudo que alivia temporariamente o sofrimento é necessariamente bom. Se a intervenção for realizada sem levar em conta outros aspectos da enfermidade, o resultado a longo prazo será quase sempre prejudicial à saúde do paciente.
Por exemplo, uma pessoa pode contrair arteriosclerose, um estreitamento e endurecimento das artérias, como resultado de uma vida pouco saudável – alimentação pesada, falta de exercício, excesso de fumo.
O tratamento cirúrgico de uma artéria bloqueada pode aliviar temporariamente a dor, mas não fará a pessoa ficar bem. A intervenção cirúrgica trata meramente o efeito local de um distúrbio sistêmico, que continuará a existir até que os problemas subjacentes sejam identificados e resolvidos.” (pág. 149)
“A influência dos laboratórios farmacêuticos sobre a assistência médica estende-se muito além da publicidade na imprensa especializada. Nos Estados Unidos, o Physician’s desk reference é o mais popular livro sobre medicamentos e é consultado regularmente por mais de 75 por cento dos médicos. Enumera todos os medicamentos no mercado, com seus usos, dosagens recomendadas e efeitos colaterais. Entretanto, essa obra-padrão reduz-se a pouco mais do que publicidade pura e simples, uma vez que todo o seu conteúdo é preparado e pago pelas companhias de produtos farmacêuticos, e sua distribuição é gratuita para todos os médicos do país. Para a maioria dos médicos, a informação acerca de remédios disponíveis não é fornecida por farmacologistas independentes e objetivos, mas quase exclusivamente pelos produtores dos medicamentos, peritos na manipulação da opinião e profundamente conscientes da eficácia dos veículos de comunicação de massa. Podemos inferir a força dessa influencia se notarmos como é raro os médicos usarem os termos químicos adequados quando se referem a medicamentos; em vez disso, usam – e assim promovem – os nomes comerciais criados pelos laboratórios farmacêuticos.
Ainda mais influente que sua publicidade em manuais e revistas é a capacidade de vendas da indústria farmacêutica. Para vender seus artigos, esses “propagandistas” saturam os médicos com sua conversa insinuante, além das pastas repletas de amostras e de todo o arsenal promocional imaginável. Muitas companhias oferecem aos médicos prêmios, presentes, bonificações e outras regalias na proporção do montante de medicamentos receitados – gravadores, calculadoras de bolso, lava-pratos, geladeiras e aparelhos portáteis de TV. Outras oferecem uma semana de “seminários educacionais” nas Bahamas com todas as despesas pagas. Foi calculado que as companhias farmacêuticas gastam, ao todo, uma média de $4000 dólares por ano, por médico, em manobras promocionais, o que equivale a 65 por cento do que gastam em pesquisa e desenvolvimento.” (Capra, pág: 144)
Tudo isso piora, se somado ao fato de que a matéria prima básica utilizada em todos os remédios é a mesma utilizada desde eras remotas (substâncias que existem naturalmente nas plantas e ervas) e que o costume de medicar-se, automedicar-se, autocurar-se é tão antigo quanto a própria humanidade. (Capra 148)
Já a medicina oriental trabalha bem diferente. Com mais de cinco mil anos, baseado no equilíbrio entre os opostos Yin e Yang, nos cinco elementos: fogo, metal, água, madeira e terra e na sua relação com os órgãos e vísceras, o oriental vê os sintomas como alarmes de desequilíbrios e tem plena consciência de que um desequilíbrio do fígado muitas vezes deve-se a deficiência dos rins, e por esta razão, para tratar o fígado deve-se adotar métodos para nutrir os rins ou vice versa. Tudo depende do todo orgânico e não de órgãos isolados.
Vemos também que a prevenção é muito mais aplicada. Se nosso amigo ocidental doente tivesse mudado sua alimentação, seus comportamentos nocivos e feito exercícios, nunca teria ficado com pedras na bexiga. Tal educação seria mais barata que a cirurgia. E menos dolorosa.
Hoje em dia sabe-se que mais de setenta por cento das doenças humanas têm uma base psíquica. Provas não faltam, o efeito do placebo é comprovado por toda ciência médica. Na revista da editora Globo chamada “Galileu”, de janeiro de 2003, encontramos relatos sobre um estudo feito no Japão em 1962 com 13 estudantes alérgicos à hera venenosa: ”Os rapazes foram vendados e em seus braços foi esfregada uma planta não tóxica. Os pesquisadores, porém, disseram que se tratava da tal hera, e verificou-se reação inflamatória em doze sujeitos. Depois os pesquisadores esfregaram a própria hera dizendo que se tratava da planta não tóxica, e apenas dois dos meninos mostraram sinais de alergia.”
Na revista Veja, de 1º de dezembro de 2004, na página 117 encontramos este trecho : “O sueco Tomas Furmark trabalha na fronteira do conhecimento da área, que hoje em dia consiste na intersecção entre psicologia, psiquiatria e outras áreas da medicina. Ele é o autor de um artigo que causou grande repercussão na comunidade científica. Utilizando uma técnica de obtenção de imagens do cérebro – a tomografia por emissão de pósitrons (PET) -, Furmark analisou o encéfalo de pacientes com fobia. Parte desses pacientes havia se tratado unicamente com terapia cognitivo-comportamental, e outra parte havia recorrido a remédios. O resultado de seus estudos mostrou que a terapia altera o funcionamento cerebral tanto quanto a química. Comentando o estudo, o alemão Klaus Grawe, pesquisador da Universidade de Berna e outra grande autoridade no assunto, destacou o fato de que experiências de vida alteram o cérebro tanto quanto remédios – e o trabalho de Furmark dava novas provas desta evidência.”(Veja, Editora Abril – edição 1882 ano 37 – nº 48 - 1º de dezembro 2004 pág 117)
É um fato conhecido que Confúcio influenciou muito a China. Os Analectos estão aí para provar. “Uma de suas idéias era... e ela se tornou efetiva, por séculos ela permaneceu funcionando. A idéia era: o médico deveria ser pago para manter o paciente saudável, não para curá-lo. Se um médico é pago para curá-lo então o interesse dele é que você permaneça doente. Quanto mais você cair doente, melhor; quanto mais as pessoas estão doentes, melhor. Você está criando uma dicotomia na mente do médico.
Primeiro você ensina ao médico que seu trabalho é manter as pessoas saudáveis: “sua função é aumentar suas vidas, vitalidade, juventude.” Mas o problema do médico é que se todo mundo permanecer saudável, jovem, ninguém cai doente, então ele morrerá de fome. Se todo mundo é saudável então os médicos ficarão doentes, completamente doentes, doentes até a morte. O que eles vão fazer?
Não, o interesse pessoal do médico é contra a filosofia que ele aprendeu. Seu interesse é que as pessoas deveriam permanecer doentes, quanto mais doentes existirem melhor será. Por esta razão você verá uma coisa estranha: se um homem pobre cai doente, ele fica bom mais rápido do que o homem rico. Estranho... por que o homem pobre fica bom mais cedo? - porque o médico quer livrar-se dele, ele é um gasto de tempo desnecessário...
A idéia de Confúcio é de grande importância; ele diz que toda pessoa deveria pagar ao médico um salário mensal para mantê-la saudável. Se ela permanecer saudável o mês inteiro então tem que pagar uma certa quantia ao médico. Se ficar doente então conseqüentemente o salário do médico será cortado.
Muito estranho no começo, porque nós estamos fazendo exatamente o oposto em todo o mundo – mas muito lógico, muito sadio. Cada pessoa deveria ter o seu médico, e deveria pagar ao médico para mantê-la saudável, não para curá-la. Se ficar doente, então as despesas correm por conta do médico; os medicamentos e todas as despesas – e seu salário será cortado também porque ele não cuidou da pessoa.
Por séculos isto continuou. E funcionava bem, tremendamente bem, para ambos; para os médicos, para os pacientes, para ambos isto funcionava bem. Os médicos não ficavam tão profundamente sobrecarregados. E os pacientes estavam perfeitamente felizes porque agora o interesse pessoal do médico não era contra eles, era a favor deles.
Então o médico não tinha interesse que seus pacientes ficassem doentes e dependessem de medicamentos. Ele estava prescrevendo mais exercícios – caminhadas, natação, esportes - assim eles poderiam permanecer saudáveis. E por séculos, enquanto a influência de Confúcio durou, a China deve ter sido o país mais saudável da terra.”(da medicação para a meditação p. 36,37)
A experiência, a história, a política e a ciência nos indicam que estamos no caminho errado. Mas por quê? Essa é uma pergunta que possibilita mais de uma resposta, eu sei, mas acho importante reproduzir aqui um trecho do livro do Doutor Alan Índio Serrano intitulado: “O que é medicina alternativa” que clarifica alguns pontos interessantes sobre o assunto, sua fala é a seguinte: “Na verdade, as indústrias e outras empresas da área de saúde dominam partes importantes dos governos. Ditam as práticas e as políticas de saúde a governos e à sociedade. Criam a idéia de que medicina é igual a tecnologia e saúde é igual a consumo de serviços médicos e de remédios.
Porém, cientificamente, sabe-se que a melhora da saúde nos países ricos não se deve às novas descobertas e às tecnologias médicas. A grande evolução na saúde se deu quando os países industrializados fizeram reformas sociais. Diminuindo a pobreza e a fome das multidões, diminuindo a sujeira, esterilizando os ambientes médicos, melhorando as habitações e fazendo o saneamento (água tratada e encanada, esgotos, e limpeza urbana), o nível de vida melhorou. Melhorando o nível de vida melhorou a saúde da população...
O homem mais bem alimentado, mais bem vestido, habitando em boa casa, resiste mais às infecções. Foram as mudanças que o nascente capitalismo fez sobre o ambiente que melhoraram a saúde dos países do primeiro mundo. Os antibióticos e as vacinas são causas também importantes, mas ocupam o segundo lugar. Os investimentos públicos, porém, são feitos, hoje, como se os remédios e os hospitais sofisticados fossem as únicas causas das melhoras. Esta é uma idéia que os países ricos tentam transmitir aos países subdesenvolvidos. Por trás está o interesse em vender os remédios e o aparelhamento hospitalar“.
No mesmo livro, adiante, temos a face política demonstrada de forma mais clara: “Vemos que a humanidade não se adapta com facilidade ao novo modo de vida da ”sociedade industrial”. Seu corpo reage, dá-se mal, apresenta alterações. Sendo as “doenças da civilização” uma reação do corpo a um mundo não ecológico e as relações sociais angustiantes, a medicina falha. Ao menos a medicina atual, tecnológica e positivista. Esta medicina apenas tem procurado paralisar as reações do corpo contra a agressividade do ambiente. Mesmo com toda a tecnologia, a medicina alivia mas não cura, não previne e nem faz diminuírem tais problemas.” (fonte)
Sinto que problematizar esta discussão é tarefa de cada um de nós, mas foge a proposta deste site.