Visão de homem

Visão Homem

Como exposto acima, aqui no ocidente o homem é reduzido à estrutura corpo e mente, e a existência é comparada ao relógio. Aqui se busca dominar a natureza, fazê-la um servidor. Já no oriente (do viés que busco no oriente), a existência, a natureza, é vista como uma mãe terra, da qual temos que aprender e nos sintonizarmos. Estar em equilíbrio com ela é “acompanhar a ordem natural das coisas”, é “fluir na corrente do tao”, é aceitar-se como parte dela. A existência então é nossa casa, nosso corpo, fazemos parte dela, somos ela: uma gota em seu oceano. E debruçando-se sobre as descobertas da física atômica viu-se que não existem objetos. A natureza essencial da matéria não está nos objetos, mas nas conexões e trocas que eles podem realizar. No nível subatômico há uma troca contínua de matéria e energia, conexões entre todos os seres vivos e não vivos, entre nossos corpos e o ambiente que os cerca. Uma troca real de fótons e elétrons. Somos todos partes de uma teia inseparável de relações e conexões. Cientificamente comprovado.

Extraindo outro exemplo do filme Mind Walk, dirigido por Bernt Capra (irmão de Fritjof Capra) sobre a teoria sistêmica : Um cartesiano olharia para uma árvore e a dissecaria, mas daí ele jamais entenderia a natureza da árvore. Um pensador de sistemas veria as trocas sazonais entre a árvore e a terra, entre a terra e o céu. Ele veria o ciclo anual que é como uma gigantesca respiração que a terra realiza com suas florestas, dando-nos oxigeno. O sopro da vida, ligando a Terra ao céu e nós, ao universo. Um pensador de sistemas veria a vida da árvore somente em relação à vida de toda a floresta. Ele veria a árvore como o habitat de pássaros, o lar de insetos. Já se você tentar entender a árvore como algo isolado ficaria intrigado com os milhões de frutos que produz na vida, pois só uma ou duas árvores resultarão deles. Mas se você ver a árvore como um membro de um sistema vivo maior, tal abundancia de frutos fará sentido, pois centenas de animais e aves sobreviverão graças a eles. Interdependência. A árvore também não sobrevive sozinha. Para tirar água do solo, precisa dos fungos que crescem na raiz. O fungo precisa da raiz e a raiz precisa do fungo. Se um morrer, o outro também morre. Há milhões de relações como esta no mundo, cada uma envolvendo uma interdependência. A teoria dos sistemas reconhece essa teia de relações como a essência de todas as coisas vivas. Só um desinformado chamaria tal noção de ingênua ou romântica porque a dependência comum a todos nós é um fato científico.

”Assim, temos diferenças gritantes entre a visão ocidental e a oriental.

“O ocidente escolheu escutar o corpo, e tornou-se completamente surdo em relação à realidade da consciência. O resultado final é uma ciência notável, uma tecnologia notável, uma sociedade afluente, uma riqueza nas coisas mundanas; e no meio de toda esta abundância, um homem pobre, sem uma alma, completamente perdido – não sabendo quem ele é, não sabendo porque ele é, sentindo-se quase como um acidente ou um capricho da natureza.

Já o oriente escolheu a consciência, e tem condenado a matéria e tudo que seja material – inclusive o corpo – como “maya”, como ilusório, como uma miragem em um deserto, a qual tem apenas aparência, mas que não tem realidade em si mesma. O oriente criou um Gautama Buda, um Mahavira, um Patanjali, um Kabir, um Jesus – uma longa linha de pessoas com grande consciência, com grande sabedoria. Mas também criou milhões de pessoas pobres, famintas, em inanição, morrendo como cachorros – sem comida suficiente, sem água para beber, sem roupas suficientes, sem abrigos suficientes.

O homem mais rico do ocidente está à procura de sua alma, e se sente vazio, sem nenhum amor, somente cobiça ... sem sentimentos para com os outros seres humanos, sem reverência pela vida, pelos pássaros, pelas árvores, pelos animais ... Todo o sucesso da ciência ocidental tem provado ser inútil, porque a casa está cheia de tudo, mas o dono da casa está faltando. No oriente o dono da casa está vivo, mas a casa está vazia. É difícil estar alegre com o estômago vazio. Com o corpo doente, é impossível meditar.” (Fonte osho)

Visão HomemÉ fácil de entender. Um hemisfério ficou com o corpo e o outro com a alma. Um é regido pelo sol e o outro pela lua, são os lados opostos da mesma moeda.

Agora vem a diferença. No oriente encontramos a síntese entre a matéria e a alma. A espiritualidade não é contrária ao materialismo, o materialismo não exclui a subjetividade. “O corpo e a alma estão juntos, a existência está repleta de espiritualidade, até mesmo as montanhas estão vivas, até mesmo as árvores têm sentimentos, a existência inteira é ambos ... ou talvez uma única energia se expressando de duas maneiras – como matéria e como consciência. Quando a energia está purificada ele se expressa como consciência; quando a energia está crua, não purificada, densa, ele se manifesta como matéria. Mas a existência inteira nada mais é do que um campo de energia. E isso é confirmado pela física moderna e suas pesquisas: a existência é energia.” Por isso a diferença do conceito de saúde.

Outro fator importante é que no oriente o homem é visto como um ser em equilíbrio com seu meio, que só o destruirá, que só maltratará seu semelhante e que só fará mal a si mesmo se bloqueado, reprimido ou impedido for de se desenvolver livre e totalmente. Assim, a culpa de algum mal, perversão ou roubo ão é totalmente do indivíduo, mas também do meio que o criou, da sociedade em que ele está inserido, dos valores e crenças que o desviaram de seu caminho natural, pois como todo animal o homem busca homeostasia com o meio. Do mesmo jeito que todo rio busca o mar, a cada nascer do sol parte dele (homem) nasce. A lua influencia seus humores, as estações seu apetite, o clima sua sexualidade, e as marés e os cinco elementos: terra, fogo, água, madeira e metal fazem parte dele. Não existe separação entre o homem e a natureza que o cerca. Citando novamente o Clássico de Medicina do Imperador Amarelo: “ As quatro estações se caracterizam pelo crescimento na primavera, pelo fortalecimento no verão, pela colheita no outono e pelo armazenamento no inverno, que são também características do qi das quatro estações. A chave da boa saúde é harmonizar o espírito com o qi sazonal.” (pág. 14). Aqui no ocidente, a obra de Wilhelm Reich, Fritjof Capra o pensamento humanista e existencialista são os que mais se assemelham a esta visão e são os que mais sofrem preconceito.

A ciência e filosofia oriental buscam a transcendência. Transcendência do dualismo corpo mente, espírito matéria, do mecanicismo. Baseados numa visão de mundo diferente, sustentam que a parte nunca pode entender o todo; um louco não pode entender outro loco. Tomates não podem estudar tomates. Devido a este pensamento, nunca surgiu no oriente uma ciência como a psicologia, por exemplo. Um louco não pode estudar outro louco. Um doente não pode estudar outro doente. No mínimo o pesquisador deve ser mais saudável, mais consciente. A parte não pode compreender o todo porque faz parte do todo, ela precisa se desprender...

Tel.: (19) 3432-3818 - Academia Áquila, rua XV de Novembro, 1816 design: Rods